Têm-nos chegado diariamente as notícias das revoltas no Médio Oriente e no Norte de África. Primeiro a Tunísia (cujo líder está, alegadamente, em coma), depois o Egipto (cujo presidente fugiu e entregou o poder às forças armadas) e agora a Líbia, com Khadafi a ter o lugar em perigo e de quem já se diz que terá fugido de Tripoli.
Acredito que, nesta fase, os teóricos que previram uma ascensão dos países muçulmanos e daquela região estejam a refazer os planos, tudo por causa de um contágio popular de vontades democráticas. O povo daqueles países, embora muçulmanos e anti-Ocidente, estão nesta altura a fragilizar os seus sistemas políticos e a abrir uma brecha de oportunidade para os países ocidentais (Estados Unidos e União europeia, fundamentalmente) concentrarem os seus esforços naquela região e, assim, manterem o seu poderio globalizante e, de certa forma, unificador.
Apoio a minha ideia (que pode pecar por repentina) no exemplo do Egipto, único apoiante de Israel na região, onde os revoltosos gritavam, rejubilantes, por Alá e contra o poder ocidental. Obama apressou-se a dizer que ia “dar apoio” à situação política no Egipto e todos já vimos que tipo de “apoio” precisam os povos daquela região, como já aconteceu com o Iraque e o Afeganistão. Com a presença norte-americana no Egipto, as revoltas anti-ocidentais resultarão, possivelmente, em novos “apoios” aos governos periféricos. Como tal, o Ocidente vai marcar a sua posição na região e, sob a ameaça – real, mas exagerada – do terrorismo, vai justificar incursões (ou deverei dizer invasões?) em todos os outros países que derrubarem governos hoje e amanhã.
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