segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A Salvação do Ocidente

Têm-nos chegado diariamente as notícias das revoltas no Médio Oriente e no Norte de África. Primeiro a Tunísia (cujo líder está, alegadamente, em coma), depois o Egipto (cujo presidente fugiu e entregou o poder às forças armadas) e agora a Líbia, com Khadafi a ter o lugar em perigo e de quem já se diz que terá fugido de Tripoli.

Acredito que, nesta fase, os teóricos que previram uma ascensão dos países muçulmanos e daquela região estejam a refazer os planos, tudo por causa de um contágio popular de vontades democráticas. O povo daqueles países, embora muçulmanos e anti-Ocidente, estão nesta altura a fragilizar os seus sistemas políticos e a abrir uma brecha de oportunidade para os países ocidentais (Estados Unidos e União europeia, fundamentalmente) concentrarem os seus esforços naquela região e, assim, manterem o seu poderio globalizante e, de certa forma, unificador.

Apoio a minha ideia (que pode pecar por repentina) no exemplo do Egipto, único apoiante de Israel na região, onde os revoltosos gritavam, rejubilantes, por Alá e contra o poder ocidental. Obama apressou-se a dizer que ia “dar apoio” à situação política no Egipto e todos já vimos que tipo de “apoio” precisam os povos daquela região, como já aconteceu com o Iraque e o Afeganistão. Com a presença norte-americana no Egipto, as revoltas anti-ocidentais resultarão, possivelmente, em novos “apoios” aos governos periféricos. Como tal, o Ocidente vai marcar a sua posição na região e, sob a ameaça – real, mas exagerada – do terrorismo, vai justificar incursões (ou deverei dizer invasões?) em todos os outros países que derrubarem governos hoje e amanhã.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Jornalismo de investigação: faz sentido?

Há poucos dias, tive uma pequena discussão com um homem cujo nome prefiro não revelar sobre o que era jornalismo de investigação e qual o seu papel na sociedade contemporânea. É bem verdade que há uma grande confusão entre o jornalismo ‘simples’, chamemos-lhe assim, e o jornalismo de investigação. A grande maioria das notícias feitas por jornalistas surge a partir de fontes oficiais – alguns estudos apontam que esse valor ronda os 75 por cento. Há, no entanto, alguns jornalistas que se dedicam a descobrir e a procurar notícias relevantes nos mais variados sectores da sociedade.

Antes de avançarmos mais, é importante referir que, ao contrário do que muitos acham – e não estou a falar nisto apenas por ser um interessado directo, dado ser essa a minha profissão -, o jornalista é, possivelmente, um dos agentes mais importantes da sociedade. Senão façamos um pequeno exercício: alguém consegue imaginar-se, um dia que seja, sem qualquer espécie de notícias? E com isso incluo aquelas que nos são relatadas por não-jornalistas, porque na grande maioria das vezes elas são apreendidas porque houve um jornalista que a relatou.

O jornalista de investigação é simplesmente alguém que vai mais além. Não é um coscuvilheiro que procura revelar algum segredo sórdido de uma celebridade nem um calhandreiro que tem como simples objectivo denegrir a imagem de outra pessoa. Não. O jornalista de investigação é alguém que demonstra o engenho e a coragem necessários para resolver questões realmente importantes numa sociedade. Em Portugal, é certo, não existe uma grande tradição de jornalismo de investigação. O (único) caso que importa nomear aqui talvez seja o da Casa Pia. Se não tivesse sido aquela jornalista (que, por acaso, não quer saber das suas fontes para nada e as explora até ao tutano para subir na carreira – é pena, mas é verdade), muitas crianças ainda estariam a passar por aquele tormento e, provavelmente, haveria outras que estariam a entrar nesse mundo obscuro do abuso sexual infantil. No entanto, há casos brilhantes de jornalismo de investigação, que lutam e, muitas vezes, colocam em risco as suas próprias vidas para melhorar o ambiente em que vivem.

Sei que já referi o grande Antonio Salas noutros posts, mas tenho de o fazer de novo. Aquele, sim, é um verdadeiro jornalista de investigação. Não ‘queima’ as suas fontes, não destrói vidas – reconstrói-as, até – e, acima de tudo, não planeia fazer julgamentos na praça pública. Simplesmente mostra uma realidade e traz à tona os responsáveis, facilitando a sua punição nos meios convencionais. É esse o trabalho de um jornalista. Deveria ser esse o trabalho de todos, mas nem todos têm as ferramentas necessárias. Por isso, é importante investir nessas ferramentas, na construção de uma sociedade mais justa, mais transparente e sem esqueletos no armário.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Um final inesperado...

Foi com uma enorme tristeza que soube do adeus que os White Stripes deram ontem à sua própria existência. Ao fim de treze anos e sete discos, o grupo alternativo que trouxe à ribalta a peculiar Meg White e o genial Jack White terminou a sua carreira.


É bem verdade que, provavelmente, ainda vamos ouvir falar muito do senhor Jack White, já que o senhor não pára de criar e manter projectos. Depois dos Raconteurs e dos Dead Weather, divulgou há pouco tempo um projecto com Norah Jones e Danger Mouse, chamado Rome.

A quem não conhece os White Stripes, urge que peguem na belíssima funcionalidade que é o YouTube e naveguem pela obra mais original que surgiu no rock da última década. Aos que já os conhecem, aprofundem e apreciem melhor toda a beleza (nua e crua, literalmente) dos White Stripes, todas as particularidades de músicas geniais, que eram criadas em dez minutos, segundo os próprios. Com isto, ficam as saudades que os fãs terão da banda, especialmente os portugueses que só tiveram oportunidade de os ver ao vivo numa ocasião: Oeiras Alive 2007, no dia 9 de Junho.