quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O que te deixa arrebatado?

“Se perdesse um olho por acidente, manteria as suas opiniões sobre o Mundo?” - Gonçalo M. Tavares, in Matteo Perdeu o Emprego

Confesso: Sou um leitor compulsivo. Viciado, mesmo. Não vivo sem livros. Portanto, será de esperar que aquilo que me deixa realmente arrebatado seja uma óptima estória de amor. Nada mais falso.

A mim o que é capaz de me deixar de queixo caído são duas coisas simples: ou frases apanhadas a meio de algum raciocínio (mais ou menos) complexo, como esta que encontrei num dos últimos livros do Gonçalo M. Tavares – que, já agora, aconselho vivamente -, ou ideias espantosas que nos façam pensar fora da caixa, numa realidade que possa ser, de alguma forma, diferente daquela em que estamos inseridos, seja ela alcançável ou não. A título de exemplo, três pequenas palavrinhas: Intermitências da Morte.

Fora do mundo literário, também uma qualquer frase apanhada a meio de uma música (ou mesmo uma melodia que nos faça compreender a real beleza daquilo a que se convencionou chamar de música) é capaz de me fazer sentir como se tivesse apanhado uma valente bofetada de um urso pardo.

E a ti?

2 comentários:

  1. Arrebatado. Há tanta coisa que posso dizer que me deixa completamente arrebatado, mas aquilo que para mim se faz "sentir como se tivesse apanhado uma valente bofetada de um urso pardo" é sem duvida quando me perco a contemplar este universo onde existimos.
    Deixa-me sem palavras pensar na imensidão de espaço que insiste em guardar de nós os mais belos segredos e os mais assustadores também.
    Bem, ao fim ao cabo não passamos senão de um misero grão de areia, que por mais longe que olhe não consegue perceber a imensidão do deserto onde se encontra.
    Não há nada mais belo do que observar fenómenos simples de tão intrínseca complexidade que dão forma ao nosso universo.
    Pensando só por breves instantes que a matéria que forma o meu corpo pode outrora ter sido parte de uma estrela numa galáxia distante que resultante de um processo tão caótico mas ao mesmo tempo tão ordeiro, atravessou a imensa distancia que nos separa para poder por fim vir me dar forma.
    Isto é sem duvida aquilo que me arrebata completamente e para mim, vida após a morte só essa, a ideia de vir um dia a fazer parte de algo que existe Eons depois de mim sem qualquer tipo de lembrança da vida que eu levei.

    Bom trabalho aqui, continua a escrever que eu continuo a ler.

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  2. Bem para mim existem múltiplas coisas que me deixam arrebatado. Começando pela natureza e o universo, uma paisagem com uma luminosidade distinta, um céu estrelado longe da poluição luminosa, onde se pode contemplar a via láctea no seu derradeiro esplendor. Agora gerado pelo ser humano, um momento banal capturado em fotografia que expressa os mais secretos dos sentimentos nele escondidos, uma musica que consegue apelar a sentimentos normalmente guardados do mundo exterior, entre muitos outros que não me vêm a cabeça de momento.
    Mas acima de todos estes, existe um que se sobressai mais que todos os outros, o derradeiro acto de altruísmo para com a sua própria espécie, alguém sacrificar a sua própria vida para que muitos possam continuar a existência da sua espécie.

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