Deixemos a modéstia de lado por uns momentos. Sim, acho que sei tocar. E, embora consiga dar uns toques numa bateria ou num baixo (já para não falar nos então humilhantes instrumentos que toquei na preparatória, como o xilofone ou a flauta), acho que o melhor instrumento que se adapta a mim é, sem dúvida, a guitarra.
Um corpo de madeira leve e fina, um braço suave e seis cordas afinadas compõem, grosso modo, uma guitarra. E o mais incrível é a quantidade de sons que dela podemos tirar, quando a manuseamos com algum conhecimento de causa.
Dei-me conta deste meu belo infortúnio que é tocar guitarra há 12 anos quando estava a trocar-lhe as cordas. As enferrujadas saltaram fora para dar lugar às douradas, novas e mais sonantes. Tocar em cordas velhas é o mesmo que tentar cantar com uma grande dor de garganta. A potência e a envolvência são absolutamente diferentes. Até as pausas e os silêncios são mais profundos – sim, o silêncio também é música, se pensarmos bem nisso.
Acho extremamente interessante o momento em que algo dentro de nós dá um clique e faz com que pensemos: quero aprender a tocar um instrumento/cantar. Eu lembro-me bem desse dia. Estava a fazer a cama, com o rádio sintonizado na Rádio Cidade, em Outubro de 1998. Era então anunciada a Pretty Fly, dos Offspring. O meu pensamento imediato foi: quero conseguir fazer isto. Quero poder agarrar numa guitarra e reproduzir aquilo. Quero conseguir cantar assim. É bem verdade que só dois ou três anos depois de muita prática é que consegui cumprir essa vontade. E, nessa fase, já tinha muitos outros desafios mais aliciantes pela frente.
Posso dizer, hoje, depois de ter trocado de cordas e de ter passado duas horas a tocar e a cantar música alternativa (pobres vizinhos…), que valeu bem a pena todos os dias de rouquidão e de dedos magoados. Ainda assim, tenho de agradecer aos meus mestres: Kevin “Noodles” Wassermane, Kirk Lee Hammett, James Alan Hetfield Datum, Matthew James Bellamy, Edward Louis Severson III (aka Eddie Vedder), Thomas Oliver Chaplin, William Patrick Corgan, entre muitos outros.
Claro que isto não quer dizer que ache que sei tocar/cantar bem. Isso não me compete a mim decidir.
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