terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Um Passeio a Évora

Eu admito que disse que ia divulgar ideias interessantes que me passassem pelos olhos e pela mente; ideias de outros, leia-se. Mas tenho de ser presunçoso ao ponto de partilhar uma ideia minha.

Na última quinta-feira de 2010, a minha estimada cara-metade pediu-me que fosse com ela a Évora, a fim de visitar alguns amigos com quem já não estava. Embora não estivesse para aí virado (muito por culpa do tempo e do alerta laranja em que estava praticamente o país inteiro, por causa da chuva e do vento), a verdade é que lhe disse que sim e lá fomos.

A meio do temporal, dentro do carro, a ideia de ter um acidente e de, provavelmente, ter sérios ferimentos ou, na pior das hipóteses, morrer, eis que me surge esta ideia: sentarmo-nos num carro com outra pessoa ao volante é das maiores provas de confiança que lhe podemos dar. Porque, afinal de contas, aquela pessoa tem a minha vida nas mãos. Literalmente. Se lhe passar uma bolha no cérebro e se decidir espetar-se contra uma árvore, já fomos. E, mesmo assim, nós dizemos-lhe: sim, leva-me para onde quiseres, a que velocidade quiseres, no grau de (in)consciência que tiveres.

O grau de entrega de nos sentarmos no carro de outra pessoa, seja para uma viagem de cinco minutos ou de quatro horas, é similar ao de nos deitarmos na mesma cama ou de partilharmos os nossos segredos mais íntimos. Todos podem trazer uma enorme satisfação ou problemas gravíssimos.

A propósito, chegámos bem.

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