terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Injustiça d'Ouro 2010

Antes de mais é preciso dar o valor mais que merecido ao grande José Mourinho pela – esperada - vitória da primeira edição da Bola de Ouro FIFA para treinadores. Em pouco mais de oito anos a ganhar títulos, Mourinho revelou ser o supra-sumo das tácticas e o guru da psicologia de balneário; além de ter mostrado ser um dos melhores treinadores de futebol de sempre (o melhor, arrisco), consegue sempre manter comportamentos que espicaçam os seus adversários e, ao mesmo tempo, motivar a sua equipa.

Mas o que marcou a edição deste ano da atribuição dos prémios da France Football (agora em conjunto com a FIFA), pelas piores razões, foi a injusta entrega do prémio de melhor jogador do mundo em 2010.

Lionel Messi é, sem dúvida, um dos melhores jogadores de todos os tempos. Tem carreira ainda curta, mas já o podemos dizer. No entanto, e perante a questão “Terá Messi sido o melhor do ano de 2010?”, a resposta terá de ser obrigatoriamente um rotundo “não”. Não está em causa a qualidade incrível da “Pulga”. Nada disso. O que está em causa é a inferior prestação de Messi no ano passado, quando comparada com outros nomes.

A própria escolha de Messi para ser o melhor do ano é de estranhar. Senão vejamos: onde está Wesley Sneijder, que ganhou tudo o que tinha para ganhar, pela mão de Mourinho, no Inter de Milão? Campeão caseiro, vencedor da taça nacional e campeão europeu com a camisola do Inter. E, como se não bastasse, chegou à final do Campeonato do Mundo, sendo derrotado já nos minutos finais do prolongamento, após dura e longa batalha pelo caneco.

E depois há Xavi. Vencedor da Liga espanhola, com uma carreira fenomenal, naquela que já é considerada como um dos melhores conjuntos catalães de todos os tempos. Além disso, Xavi foi também a roda dentada que pôs a funcionar a “roja” que viria a vencer o Campeonato do Mundo da África do Sul. Sim, existe a questão da posição pouco convencional para se ganhar um prémio deste género. Mas então que dizer da vitória de Fabio Cannavaro - um defesa! - em 2006?

Mas não. Ganhou Messi. O mesmo Messi que não marcou um único golo pela Argentina, a selecção humilhada pela força bruta alemã com uns expressivos 4-0, durante o Mundial. O mesmo Messi que só ganhou um campeonato, com alguns laivos de genialidade (já comum) noutras competições. Mas, para Joseph Blatter e para a sua FIFA, foi o melhor jogador do mundo em 2010. Mesmo quando todos os contemplados desde 1994 foram vencedores de um campeonato mundial...

E esta parece não ser a primeira vez em que se favorece Lionel Messi, mesmo quando os argumentos não ajudam. Já em 2007, quando Kaká e Ronaldo disputavam o prémio, Messi conseguiu ficar à frente do português, em segundo lugar. Mesmo quando Ronaldo havia sido o protagonista de uma época brilhante no Manchester United (42 jogos, 20 golos), sendo inclusivamente campeão de Inglaterra; e com Messi lesionado durante grande parte da temporada, embora tenha sido campeão em Espanha (27 jogos, 15 golos).

Mas, no fim de contas... Messi. Porquê?

1 comentário:

  1. Continuo a achar qualquer teatro desportivo que move milhões de euros mensalmente, uma bela treta desnecessária, aplaudo o desempenho, as tácticas, etc... mas o dinheiro que é movido neste negócio desportivo poderia ser usado em muitas outras coisas que seriam bem mais uteis.

    De resto não posso comentar, porque não sou adepto de futebol, e não costumo acompanhar nada que venha desses lados.

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